Entrevista com David Belle em Portugal

Pai do parkour esteve em Portugal

A Nova Arte Urbana

Quando vires alguém a precipitar-se de um muro de três metros ou a saltar por cima de um caixote do lixo, podes estar frente a um traceur. Ficaste na mesma? E se te dissermos que é o termo usado para definir os praticantes de parkour? Mais quente? O pai da modalidade, David Belle, esteve recentemente em Lisboa com o seu team no âmbito do lançamento da Aquarius, pertencente à Coca-Cola Company. Às demonstrações no Parque das Nações seguiu-se a conversa com o mu. Com 33 anos, ele tem o privilégio de poder dedicar a vida ao que mais gosta de fazer, além de percorrer o mundo ou trabalhar com realizadores conceituados.
Por Lina Manso | lmanso@mundouniversitario.pt

Que influência tiveram o teu pai e avô, ambos ligados aos bombeiros e exército (onde também chegaste a estar), na invenção do parkour?
Fui-me interessando por o que eles faziam, até por fim colocar a questão: o que há depois disto? Transformei o que aprendi numa espécie de jogo, com muito de silêncio, flexibilidade e agilidade.

O que nos leva à segunda pergunta. Trata-se de um desporto, estilo de vida, passatempo ou filosofia?
É uma arte de viver. Tanto urbana como contemporânea.

Podias concretizar?
Antes de mais é aprender a ser cuidadoso. E não descurar o treino físico. Além disso exige harmonia entre o local onde é praticado e quem o pratica.

E quem o pode fazer?
Toda a gente!

Não sei se estaria preparada para saltar de um muro de três metros...
Isso treina-se! Se tivesses um leão a correr atrás de ti ficavas parada?!

Li algures que pode ajudar a fortalecer a auto-confiança e a perder os medos.
O objectivo de base é conhecermo-nos a nós próprios e aprender a superar os nossos limites.

Como encaras a forma como a Madonna tem promovido esta arte (visível no videoclip "Jump", pertencente ao último álbum, ou nas coreografias dos espectáculos integrados na "The Confessions Tour").
Acho simplesmente que ela usa o parkour para vender a sua música e não a música para divulgar o parkour.

A primeira vez que ouvi falar em parkour foi através do filme "Yamakazi". Tens alguma coisa a ver com esse grupo?
Sim, são primos que iniciei na modalidade.

Então e o que tens feito para a dar a conhecer (já que a praticas a tempo inteiro, como profissão, desde os 18 anos)?
Já participei, por exemplo, no filme "District 13", do Luc Besson. Estou agora envolvido na rodagem de outro, em Praga (República Checa), e parece-me que há uma nova longa-metragem na calha, em Hollywood. Além disso fiz parte de vários anúncios publicitários para marcas conhecidas como a TMN (aqui em Portugal), a Nissan ou a Nike.

Por falar em marcas. É preciso algum tipo especial de ténis para a prática do parkour?
Ainda não há nada específico mas gostávamos de ter uma linha só nossa...

Que imagem tens dos nossos praticantes nacionais?
Têm imenso potencial, um clima maravilhoso que só ajuda... Acho que o parkour pode evoluir muito aqui!

E vais voltar em breve?
Sim, talvez com a minha namorada (gostei muito disto).

Por falar em mulheres... onde estão as praticantes femininas?
Da mesma maneira que existem raparigas que gostam de futebol ou boxe, há quem goste de parkour. Elas andam por aí...mas escondem-se!

Voltando ao que disseste sobre o parkour poder evoluir muito em Portugal. Há pouco fiquei com a sensação que não tinhas dito tudo...
É que além de verificar que os jovens praticantes estão em harmonia com a sua cidade (não andam aí a destruir propriedade alheia), admiro o facto de a maioria deles estudar ao mesmo tempo (eu abandonei a escola aos 15 anos).

Se tivesses tempo prosseguias os estudos?
Aprendo muito sozinho! Quando viajo gosto de ler sobre a História e a Geografia dos países para onde vou.

Diz-nos qualquer coisa de Portugal então!
Ouvi falar de Sintra e fiquei encantado com o lado místico! Adoro a ideia da existência de um lado oculto.

Extraído de: http://www.mundouniversitario.pt/artigos.php?art=670